Terminei o ano prometendo um retorno dos meus “diabretes” revolucionários ao playground da internet. Hoje retorno a este espaço para dividir com vocês um pouco sobre este meu período de recolhimento. Não que os “diabretes” estejam recolhidos dentro da caixinha, pois uma vez libertos estes danadinhos nunca voltam. É a tal “maldição do saber”. Estes “diabretes” continuam saltando aqui e acolá, mas encontrando diferentes formas de expressar, moldando outras formas, realidades e mundos. Desencantei-me com algumas pessoas e acabei desencantando de escrever. Este tem sido um período de valiosas lições para mim.
Nestes dias meu filho fez aniversário. Ele hoje tem 16 anos e é um rapazinho lindo, forte, inteligente e independente. Também estou às voltas com meu próprio aniversário, e esta proximidade sempre me traz profundas reflexões. Porém, neste ano, mais do que nunca. Isto porque me vi no meio de universos eqüidistantes, entretida com os dramas da juventude, e ao mesmo tempo, igualmente e indesejavelmente envolvida nos dramalhões daqueles que já viveram bem mais do que eu.
Um velho ditado de Ifá andou queimando em minha mente, enquanto vou processando estas valiosas experiências:
“Mal comportamento é o que é atribuído aos jovens
Mal caráter é o que é atribuído aos anciãos.”
Por enquanto o ditado me faz refletir sobre a pressa que os jovens têm em alcançar uma estação que ainda não é adequada à sua maturidade, bem como a falta de noção que têm sobre o preço de uma falha que um adulto tem que pagar. Não é mais o charme, o biquinho e as lágrimas que nos tiram das enrascadas. Para o jovem que comete uma tolice o perdão é esperado e até exigido. Para o adulto, a responsabilidade é lançada como tapa na cara. Mas o adulto que espera esta responsabilidade de um jovem é um tolo, e desta vez, eu fui a tola. Acho que é porque meninas sempre se desenvolvem mais depressa, o que não significa necessariamente algo bom, mas a tolice mesmo é achar que você pode se usar como linha de corte.
Do outro lado da moeda, outras situações me fizeram refletir sobre o endurecimento causado por Saturno, e o quão custoso é para o idoso mudar seus padrões negativos. Aprendi que não podemos mudar aqueles que já abriram suas portas ao Deus Mendigo, pois dali só há de verter veneno. Daqui eu tomei o veneno, mas decidi perdoar e esquecer. Também eu um dia terei que abrir as portas para este inevitável hóspede, e queira o Criador que eu tenha dos meus pelo menos um décimo de minha própria misericórdia.
Tomei estas lições com o coração apertado, dolorido mesmo, ao mesmo tempo em que entendi seus valores e as mudanças que elas implicam. Começo o ano mais leve, tendo mais firmeza no chão que piso, e agora sei com quem posso realmente contar.
Contrabalanceando isto tudo, fui curtir uma temporada ensolarada de praia em Natal (RN) com Pessoas maravilhosas. Lá, além do bronzeado, ganhei carinho e conforto de quem tem amor de sobra. E para ajudar no contra-peso deste período intenso, os olhos verdes das ondinas que ouviram nosso chamado surgiram na noite mágica da praia de Búzios, anunciando as recompensas que o ano ainda há de descortinar - é só saber para onde olhar.
Um Feliz Ano Novo a todos!

7 comentários:
Bem Vinda de volta! ^^
Bem vinda de volta, o ano está sendo renovado para todos pelo visto, não estamos na mesma egrégora por acaso. Estou com muita saudades destes pestinhas que você sempre liberta.
Talvez não reconheça, sou aquele antes conhecido por Nion, mas, finalmente me livrei deste esteriótipo "bruxo-celta" que não tinha nada haver com minha herança.
Ainda bem que você está de volta, o mundo virtual andava meio parado...
E que texto...viu, como dizemos aqui na Bahia de Todos os Santos, Orixás, Exús e Mestres,
"...Oxente, vixe!!! ave Maria, ó, paí, ó..menina que tu tava inspirada viu....!!!!"
E tudo é aprendizado, né Katy?
Fiquei até preocupado com essa sumida repentina e fico feliz pelo seu retorno. Feliz ano novo e que este aprendizado nos acompanhe sempre.
Abraços.
Leonardo.
Olá queridos, obrigada pelo carinho.
Meu "desaparecimento" foi devido a muitos fatores que tinham que ser resolvidos antes de meu retorno. Estes muitos fatores estavam atrapalhando minha inspiração. No geral, acho que eu ando com pouca fé no gênero humano mesmo, e então eu precisava repensar se queria "adicionar" algo à humanidade ou se queria ter o "prazer" de expressar-me - primeiramente para mim mesma (os outros são consequentes).
Este balanço é necessário, em especial quando vemos os "salvadores da pátria" com medo de perder seus espaços quando suas garantias são questionadas. Eu estava cansada de tomar tamancada de idiotas (férias deste latidos insanos são mais do que necessárias). O problema mesmo é que parece que nunca se tocam que eu não quero seus estudantes, mesmo que às vezes um ou outro venha me procurar depois de se ferrar. Pior ainda é ver que existem muitos leitores daqui que confundem as minhas expressões com as destes mesmos idiotas, sem perceber que são coisas completamente diferentes. Enfim, eu precisava de um tempo para voltar a escrever para mim, sem me importar com o que "eles" vão falar (afinal, deixemos eles perderem tempo), ou sem me importar se as pessoas vão ou não entender.
Quem gostar de ler sobre os meus "diabretes", lerá. Quem tiver que entender, entenderá. Tenho certeza de que quem gosta da minha forma de pensar gostará dos meus escritos, assim como tenho certeza de que aqueles que chegam aqui cheios de ódio, sempre odiarão (até se sufocarem com isso...).
Mas sim, volto a escrever daqui de minha ilha ensolarada, mesmo que mais desesperançada em ver qualquer traço de arco-iris no mundo cinzento e longínquo do homem "civilis".
Feliz Ano Novo ^^
Feliz Ano Novo!
Teu blog é realmente precioso! Fico feliz que tenha voltado a escrever.
Não acho que devemos temer pelo mundo cinzento. Mas devemos cuidar das nossas relações. Pensando no micro. "Assim acima, como abaixo"
Estou ansioso para ler mais!
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