Diablerie

Perspectivas tradicionais do mundo, na contra-corrente... e fora da caixinha. Bruxaria Tradicional, Ocultismo, Magia, Religião, Ifá, Astrologia, Horóscopo, Bruxa*, Bruxo*


Quando nos deparamos com um novo evento em nossas vidas, logo recebemos uma onda vibratória, que emerge na totalidade do corpo: segue para cima, do coração à mente, e para baixo, em um sentimento baixo-ventre que revela bem estar ou mal estar. Ao “Santo Bárbaro” estas vibrações seguem em somente uma direção: as vibrações chegam e partem do baixo-ventre, enquanto a mente dispara uma grande variedade de pensamentos que exaltam seu constante papel de vítima assim como seu constante merecimento em obter benefícios em detrimento dos outros. 

O “Santo Bárbaro”, o eterno apaixonado cuja vida é regida pelo baixo ventre, encontra conforto em suas intermináveis desculpas para não amadurecer, pois suas constantes falhas sempre residem em fatores fora de seu controle: falhos pais, amigos infiéis, seus muitos inimigos, a namorada que lhe deu o fora, o chato do patrão naquele subemprego, o professor, a falta de oportunidade na vida, as circunstâncias, a falta de respeito com que lhe tratam nas ruas... e diante de tudo isto, ele espera colher a simpatia do mundo. Completamente incapaz de mover-se em direção de qualquer meta sem que exista uma motivação vinculada com outra pessoa, ele é o eterno dependente, uma parasita que vive do grande drama cujo personagem principal é ele mesmo.

O “Santo Bárbaro” é o resultado da covardia na superação os obstáculos que a vida impõe. Ele não acredita em si, mas espera que os outros o façam. Geralmente vive ocupado em ações que tentam esconder suas falhas, mais do que reconhecê-las. Só é capaz enxergar-se vencedor se a vitória for sobre outra pessoa, alguém que se coloca na posição de espelho de sua feiúra, alguém que lhe aponta as falhas, alguém que entre em qualquer sintonia, boa ou ruim com ele. 

Quando o “Santo Bárbaro” vence sobre o incauto, ele galga a altura da cabeça do vencido para clamar sua posição no mundo. Todos os que não a reconhecem são considerados cruéis e maldosos, ou ainda, a mais pura representação do diabo. O “Santo Bárbaro” é o viciado que arrasta a todos à sua volta para o abismo, é o verme que se alimenta de sua felicidade, é o invejoso que busca demolir seu sonho trazendo-o ao purgatório onde ele é a vítima em profunda negação. Ao negar o crescimento, o “Santo Bárbaro” sempre está em um mundo hostil. Ele se sente bem condenando os outros – especialmente aqueles que ele, bem no fundo, admira. “Se você sofre, meu sofrimento é suportável” – proclama o baixo ventre do “Santo Bárbaro”.

Por isto devemos nos aproximar do “Santo Bárbaro” com cautela. Não é difícil reconhecê-lo em níveis variados, ele reside naqueles que o vernáculo popular chama de “cuzão” (o famoso “asshole” em inglês). Que me perdoem os puritanos, mas não há palavra mais apropriada para alguém que se move no mundo de acordo com as sensações do baixo-ventre. O “cuzão”, sinônimo do estúpido e covarde, não pode encontrar qualquer sintonia em você, e você não deve ficar exaltado com ele. Tome a decisão de reconhecer se este elemento tem algum propósito em sua vida ou não. Se tiver, tome a lição e siga em frente, não tome para si o papel de vítima. Lembre-se que o resultado da ação do “cuzão” é sempre o fértil esterco onde podemos plantar as sementes para nossa vitória pessoal. Agora, se não há propósito para o “cuzão” figurar em sua vida, veja-o pelo que ele realmente é: um simples trapaceiro de si mesmo, uma piada de mau gosto. Sorria, e siga adiante. Afinal, devemos compreender que existe uma razão para tudo no mundo. Às vezes, só para fertilizar o sonho alheio.

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