(um cantinho aqui de casa)
Ano Novo - aquela meia noite de resoluções e desejos para o próximo ano, sempre regada de excessos e alguma superstição.
Há quem não acredite no velho folclore: saltar ondinhas, comer romãs e guardar as sementes, fazer uma fogueira para queimarmos pedidos...
Eu respeito. Também pensava que estas coisas eram somente crendices muito bestas, até conseguir meu primeiro pedido: ganhar asas! Lógico que não literalmente, mas explico isto melhor nas próximas linhas.
Quem me conhece, sabe bem que sou um paradoxo neste sentido – como pode uma bruxa ser tão cética com tanta coisa?
Mas sou. Adoro estudar e odeio gastar ‘vela boa com santo ruim’, como dizia meu falecido pai. Preciso saber o ‘por quê’ de tudo, preciso conhecer a ‘tecnologia’ da coisa, e a coisa precisa me vencer emocionalmente e intelectualmente. Ah... começando pelas próprias velas. Quem me disser que isto é coisa de magia das antigas está mentindo. Primeiro porque não há explicação prática, pois as velas foram inventadas nem tão antigamente assim em comparação a idade da magia, e certamente os muitos grandes magos da humanidade usavam fogueiras, tochas e até lamparinas de azeite antes da vela. Cor então, nem se fala. Há uma crença besta de que se você não tiver vela de ‘tal cor’ você não pode realizar sua magia, ou que acender vela preta dentro de casa dá um azar danado porque chama espírito ‘maligno’. Oras, me poupem! “Magia de Velas”, oh my...
Se você não tem vela em casa, sem crise: você tem a sua lâmpada e não terá que realizar sua operação no escuro como nossos ancestrais. Sua magia funcionará igualzinho. Se você precisa da vela para ela funcione, pense de novo. Seu poder deve residir dentro de você e não fora, e a vela é somente um pobre instrumento de foco, de intenção.
Para chamar espíritos ‘malignos’ (embora não acredite na classificação, posso concordar com a intenção), você não precisa de vela: basta continuar fazendo tudo de errado com sua vida que eles logo vêm dando tapas nas orelhas! A vela não vai fazer a menor diferença, a menos que o dito cujo resolva apagá-la e usá-la como supositório... o que pode até ajudar se seu problema é nunca tentar antes de rejeitar.
Mas vamos lá, saí do assunto.
Ergui certa meia noite de ano novo, um brinde à natureza. Estava em frente a uma mata exuberante em Atibaia, e mesmo cercada de outros hóspedes na pousada em que estava, eu estava sozinha naquela noite. O filho e o sobrinho brincavam pela pousada ecológica e não estavam nem aí com a hora. Então ergui a taça, caminhei até a borda da mata, e suspirei: “Que linda... como gostaria de morar em um lugar destes cercada de uma mata, esta natureza tão maravilhosa e exuberante!”
Seis meses se passaram e o diretor da companhia em que eu trabalhava na época se fartou da loucura do trânsito de Sampa (concordo, isto é uma fábrica de loucos!), reparou que os clientes da empresa estavam todos situados perto de rodovias em cidades menores e decidiu que iria mudar a empresa para... colocando o dedinho no mapa... Atibaia! Tive que acreditar que era destino, pois nunca havia sido assaltada em minha cidade natal e naquele ano foram três vezes e na última o idiota apontou a arma para a cabeça do meu filho.
Mais outros seis meses se seguiram e eu passei aquele novo “ano novo” em Atibaia, novamente, só que desta vez, agradecendo o desejo concretizado da varanda de minha própria casa – pelo sim ou pelo não...não custava agradecer e pedir um pouquinho mais...
Novamente sozinha, ou melhor, sempre mal acompanhada pela procissão de homens confusos que passaram pela minha vida, foi naquele período que percebi que deveria bastar-me, e então pedi para que ficasse bem comigo mesma, e se não fosse isto acho que jamais teria atraído para minha vida não ‘um cara’, mas ‘o cara’. Se minha cara metade não havia aparecido em Sampa, com suas inúmeras possibilidades, eu havia reduzido isto a quase nada ao mudar-me para uma cidade de pouco mais de 150.000 habitantes (naquela época). Trinta e três anos de idade, um filho de seis e entupida de dívidas da mudança – pergunte a qualquer mulher desta idade se é fácil! Mas aquele Reveillon foi o último que passei sozinha, pois outros – pasmem – seis meses, me mostraram que pedido de Ano Novo funciona sim, muito bem, e obrigada, por sete anos agora, os mais felizes sete anos de minha vida.
Mas bastaram dois anos em Atibaia para que eu finalmente pudesse morar ainda mais embrenhada na natureza. Hoje ela mora comigo, dentro e em volta de casa, e virou ninho para outros que vêm buscar o crescimento para suas asas também.
Então acredite. Você pode ser livre, você pode alcançar a tudo, basta pedir ao Universo e em especial à natureza que te rodeia. Se você mora na cidade, procure um parque e encontre uma árvore bonita e frondosa. Esteja certo que ali mora aquele ser que vai te ouvir com um simples pacto de respeito, e, por favor, cumpra sua promessa porque o ‘povo da floresta’ desconhece esta coisa de segunda chance. Este pode ser seu primeiro passo rumo à consciência ecológica, no mínimo.
Ano Novo serve para isto sim, mas em especial para que possamos nos abrir para o novo e desconhecido reino das possibilidades, de peito aberto para as mudanças, com aquela ‘atitude de interesse’ frente aos obstáculos que sempre se revelam como grandes bênçãos na vida, mesmo que na hora estejamos ainda muitos cegos às suas possibilidades.
Ano Novo serve para isto sim, mas em especial para que possamos nos abrir para o novo e desconhecido reino das possibilidades, de peito aberto para as mudanças, com aquela ‘atitude de interesse’ frente aos obstáculos que sempre se revelam como grandes bênçãos na vida, mesmo que na hora estejamos ainda muitos cegos às suas possibilidades.
Feliz Ano Novo!




2 comentários:
Lindo, lindo!!!
Adorei o texto, e eu sei a beleza de ninho que vc tem^^
Beijos mil e saudades!!!
Kd o horóscopooooo??? KKKKK
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