15/01/2012

Astuta, Sábia, Bruxa!

Vou abrindo o ano com dois posts, para recompensar aqueles poucos que têm diligentemente visitado este blog. Vou falar de um filme que incrivelmente NÃO FOI COMENTADO pelos bruxos conectados às redes virtuais. Digo “incrivelmente” porque não se trata de lançamento: o filme é de 2010. Trata-se de Morte Negra (Black Death) de Christopher Smith, estrelado por ninguém menos que Sean Bean, que atuou em personagens marcantes como Eddard Stark de Game of Thrones, o Zeus de Percy Jackson e o Ladrão de Raios e como Boromir, de O Senhor dos Anéis.

Langiva é a personagem interpretada por Carice Van Houten,
que também é atriz de 
Game of Thrones
O ano é 1348, e toda a Europa é vitima da Peste Negra. Enquanto hoje sabemos que a peste bubônica é disseminada pelos ratos e seus parasitas (em especial o rato negro e sua pulga Xenopsylla cheopis), naquela época as pessoas creditavam tal flagelo a outras causas mais... “sobrenaturais”, como a ira divina, a praga dos judeus ou a obra demoníaca das bruxas. Assim como ocorre em nos nossos dias, era sempre mais fácil apontar o dedo do que pegar um balde de água e sabão para limpar o próprio chão. Ratos faziam a festa nas cozinhas e camas na real “era medieval”, o que compõe uma imagem bem menos romântica do que as pessoas imaginam.

Neste ambiente apocalíptico a impotente igreja perdia a firmeza da fé do povo, e assim encontrar bodes expiatórios era crucial. Mas havia rumores de uma aldeia perdida nos pântanos que não havia sido atingida pela Peste. Rumores corriam a Inglaterra, e contavam estórias aterradoras de bruxas necromantes que ali viviam. Ulric (Sean Bean), um cavaleiro destemido, é destacado pela igreja para investigar os rumores. Com seu bando de mercenários e um noviço dividido entre a vida monástica e o amor, ele segue aos pântanos para passar pela maior provação de fé de sua vida.

Ali eles encontram Langiva e a razão pela qual resolvi escrever esta resenha. Só mesmo assistindo este filme para entender a diferença entre uma “Cunning Woman” (que se traduz como sábia/astuta) e a batida e fictícia personagem “sacerdotisa de culto pagão”. É assistir para entender. Basta ter QI suficiente para girar uma maçaneta ;o)

Um diabrete por vez....

Terminei o ano prometendo um retorno dos meus “diabretes” revolucionários ao playground da internet. Hoje retorno a este espaço para dividir com vocês um pouco sobre este meu período de recolhimento. Não que os “diabretes” estejam recolhidos dentro da caixinha, pois uma vez libertos estes danadinhos nunca voltam. É a tal “maldição do saber”. Estes “diabretes” continuam saltando aqui e acolá, mas encontrando diferentes formas de expressar, moldando outras formas, realidades e mundos. Desencantei-me com algumas pessoas e acabei desencantando de escrever. Este tem sido um período de valiosas lições para mim.

Nestes dias meu filho fez aniversário. Ele hoje tem 16 anos e é um rapazinho lindo, forte, inteligente e independente. Também estou às voltas com meu próprio aniversário, e esta proximidade sempre me traz profundas reflexões. Porém, neste ano, mais do que nunca. Isto porque me vi no meio de universos eqüidistantes, entretida com os dramas da juventude, e ao mesmo tempo, igualmente e indesejavelmente envolvida nos dramalhões daqueles que já viveram bem mais do que eu. 

Um velho ditado de Ifá andou queimando em minha mente, enquanto vou processando estas valiosas experiências:

“Mal comportamento é o que é atribuído aos jovens
Mal caráter é o que é atribuído aos anciãos.”

Por enquanto o ditado me faz refletir sobre a pressa que os jovens têm em alcançar uma estação que ainda não é adequada à sua maturidade, bem como a falta de noção que têm sobre o preço de uma falha que um adulto tem que pagar. Não é mais o charme, o biquinho e as lágrimas que nos tiram das enrascadas. Para o jovem que comete uma tolice o perdão é esperado e até exigido. Para o adulto, a responsabilidade é lançada como tapa na cara. Mas o adulto que espera esta responsabilidade de um jovem é um tolo, e desta vez, eu fui a tola. Acho que é porque meninas sempre se desenvolvem mais depressa, o que não significa necessariamente algo bom, mas a tolice mesmo é achar que você pode se usar como linha de corte.

Do outro lado da moeda, outras situações me fizeram refletir sobre o endurecimento causado por Saturno, e o quão custoso é para o idoso mudar seus padrões negativos. Aprendi que não podemos mudar aqueles que já abriram suas portas ao Deus Mendigo, pois dali só há de verter veneno. Daqui eu tomei o veneno, mas decidi perdoar e esquecer. Também eu um dia terei que abrir as portas para este inevitável hóspede, e queira o Criador que eu tenha dos meus pelo menos um décimo de minha própria misericórdia.

Tomei estas lições com o coração apertado, dolorido mesmo, ao mesmo tempo em que entendi seus valores e as mudanças que elas implicam. Começo o ano mais leve, tendo mais firmeza no chão que piso, e agora sei com quem posso realmente contar.

Contrabalanceando isto tudo, fui curtir uma temporada ensolarada de praia em Natal (RN) com Pessoas maravilhosas. Lá, além do bronzeado, ganhei carinho e conforto de quem tem amor de sobra. E para ajudar no contra-peso deste período intenso, os olhos verdes das ondinas que ouviram nosso chamado surgiram na noite mágica da praia de Búzios, anunciando as recompensas que o ano ainda há de descortinar - é só saber para onde olhar.

Um Feliz Ano Novo a todos! 

25/11/2011

Falou tudo...

"Muita gente, especialmente gente ignorante, quer lhe punir por falar a verdade, por ser correto, por ser você.

Nunca se desculpe por ser correto, ou por estar anos adiante de seu tempo.

Se você está certo e sabe disso, diga o que pensa. Mesmo se você for uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade."

Gandhi

06/11/2011

Nota aos Seletos Indomados

Àqueles que me visitam nestas paragens deixo uma pequena nota sobre minha pausa por aqui. Faço isto muito mais pelo carinho que dedico a alguns leitores mais chegados e sintonizados do que uma necessidade pessoal de explicar-me. Alguns me conhecem o bastante para entender como funcionam meus processos criativos. Outros se aproximam porque buscam esta “minha perspectiva” para comporem as suas próprias. Destes últimos, alguns chegaram a escrever perguntando o que havia acontecido.

Ultimamente tenho dedicado mais tempo para brincar com meus cachorros, re-estudar Fludd e Spare sob uma ótica mais amadurecida e treinar minhas habilidades com jardinagem – que têm muito para aprimorar até que chegue ao nível de meus antepassados orientais. Plantas requerem tanto carinho e atenção quanto requerem nossos relacionamentos mais sagrados, em uma base muito diária.

Então, não, esta pausa não é dedicada ou causada por oponentes e nem “pó de pirlim-pim-pim do inferno” espalhado no meu chão. É aqui no "frigir dos ovos" que sabemos quem é quem, e há tempos não ouço o uivar do vento anunciar tempestades de raio e fogo.

Este espaço virtual foi criado com o intuito de trazer meus “diabretes” revolucionários ao playground da internet. Não vim aqui para “evangelizar” ninguém e no dia em que isto se tornar uma ferramenta menos interessante para conhecer outros “marginais e hereges” como eu, certamente encontrarei outra.

Se caminhamos um bocado em uma jornada onde a busca intensa de auto-conhecimento é crucial, é natural que tenhamos colecionado ao longo dos anos os correspondentes da medida do nosso próprio ódio – nossos espelhos de feiúra. A vida tem me mostrado que todo mundo é o “santo bárbaro” de alguém, e eu sempre tento engolir a hipocrisia alheia com alguma compaixão, mas às vezes simplesmente não dá – mas sigo tentando! 

Por outro lado, não existe ainda uma pessoa “incriticável”, dado o excesso de veneno contido em nossa cultura “caga-regras”, criadora de prisões emocionais e suicídios lentos. Toda a questão reside na escolha da dosagem. Eu ainda estou trabalhando nesta “síndrome da abstinência” após sair deste vício maldito que o veneno causa. Então, lógico, eu ainda tenho meus espelhos de feiúra! Quem não tem? Sou parte “natureza humana”, queime-me por isso! 

Enquanto o homem se prende nesta redoma rosada e altamente civilizada – democrática em sua baixa linha de corte – eu só tenho que seguir "zen", em profundo contentamento, para não me envenenar destes consensos adormecidos.

No outro lado da aba, estou preparando um prato delicioso para apresentar aos meus seletos leitores, breve, muito em breve.

19/10/2011

Para aqueles INDOMADOS que vêem o Caminho

Garret John LoPorto fala ao coração de muitos jovens, com seu coração repleto de entusiasmo. O vídeo é um pouco "energético" demais para o meu gosto, mas a mensagem é verdadeira e profunda.

Para aqueles que não têm uma internet rápida ou resistem em baixar o vídeo, deem uma olhada no calibre deste Manifesto logo abaixo do vídeo:


“ATENÇÃO:  A todos os infratores de regras, inadaptados e problemáticos, a todos os espíritos livres e pioneiros, a todos os visionários e inconformados:

Tudo o que o sistema disse que está errado com você, é na verdade o que está certo com você. Você vê coisas que os outros não vêem, e está equipado para mudar o mundo. Ao contrário de 9 entre 10 pessoas, a sua mente não é reprimível, e isso ameaça a autoridade. Você nasceu para ser revolucionário. Não suporta as regras porque no seu coração sabe que há um caminho melhor. Você possui forças perigosas para o sistema e ele quer eliminá-las, portanto disseram a você durante toda a sua vida que as suas forças são fraquezas.


Agora eu digo o contrário. A sua impulsividade é um dom. Impulsos são a sua chave para o miraculoso, A sua distração é um produto da sua inspirada criatividade. As suas alterações de humor refletem o impulso natural da vida, e dão a você energia incontrolável quando você está em alta, e profunda introspecção da alma quando está em baixa. 


Você foi diagnosticado como um “distúrbio”? Esta é a última forma de a sociedade negar a doença dela, apontando o dedo para você. A sua personalidade de dependência é apenas um sintoma do sub aproveitamento da sua grande capacidade heróica, de expressão criativa e de conexão espiritual. A sua ausência absoluta de repressão, o seu idealismo visionário, a sua mente aberta sem atenuação...nunca ninguém disse a você?  Essas são as características partilhadas pelos maiores...
pioneiros e visionários, inovadores, revolucionários, procrastinadores, rainhas do drama, ativistas sociais, cadetes espaciais, rebeldes, filósofos, desamparados,  empresários-pilotos de caça, astros de futebol, viciados em sexo, celebridades com déficit de atenção, alcoólicos buscando novidades, os primeiros a responder, profetas e santos, místicos e agentes de mudanças...Nós somos TODOS o mesmo, você sabe,  porque somos todos afetados pelo Caminho. Nós somos TODOS o mesmo, você sabe, porque somos atraídos para a chama.

No seu coração você sabe que exista uma ordem natural, algo mais soberano que qualquer regra ou lei feita pelo homem pode alguma vez expressar. Essa ordem natural é chamada “O Caminho”. O Caminho é o substrato eterno do Cosmos. Orienta a própria corrente do tempo e espaço. Ele é conhecido por alguns como a Vontade de Deus. a Providência Divina, o Espírito Santo, a Ordem Implícita, o Tao, Entropia Reversa,  Força da Vida...mas por agora vamos apenas chamar de “O Caminho” O Caminho se reflete em você como a fonte de inspiração, a fonte de inspiração da sua sabedoria,  do seu entusiasmo, da sua intuição, do seu fogo espiritual, Amor... 


O Caminho elimina o caos do Universo, sopra-o com vida, refletindo a ordem divina. O Caminho, quando experimentado pela mente é genial, quando percebido pelos olhos é belo, quando sentido pelos sentidos é a Graça, quando aceito no coração...é AMOR.


Muitas pessoas não conseguem sentir o Caminho diretamente, mas existem “Os Que Vêem o Caminho”. Os guardiões da chama, “Os Que Vêem o Caminho” tem um dom inexplicável para simplesmente conhecerem o caminho. Eles o sentem em seu próprio ser. Não podem dizer a você o porquê ou como chegaram à resposta certa. Eles apenas o sabem em seu íntimo. Eles não podem mostrar como funciona. Portanto não pergunte. As suas mentes simplesmente estão em ressonância com o Caminho. Quando o Caminho está presente, eles também estão.


Enquanto que outros estão cegos para isto, e a sociedade implora a você que ignore, o Caminho agita você por dentro. A repressão neurológica bloqueia a consciência do Caminho na maioria das pessoas. Censurando todos os pensamentos e impulsos do inconsciente está o córtex frontal deles: a Gestapo do cérebro. “Nada que viole a programação social consegue vencer, mas a sua mente é diferente. A sua mente foi completamente decodificada pelo Caminho, por qualquer traço genético milagroso, por qualquer psicotrópico, ou talvez apenas pela vontade da sua própria alma, as vias de recompensa do seu cérebro foram seqüestradas. Foi usada dopamina para derrubar a ditadura fascista do seu córtex pré-frontal, e agora o seu cérebro está livre de repressão, a sua mente está livre de censura, a sua consciência está exposta aos mares turbulentos do inconsciente. Através dessa porta aberta a luz divina brilha na sua consciência mostrando a você o Caminho. Isto é o que faz de você um Visionário do Caminho.


90% da civilização humana é formada por “aqueles que tem o cérebro bloqueado para o caminho”. Os cérebros deles estão preparados para fazer cumprir a programação social doutrinada desde o nascimento. Ao contrário de você, eles não conseguem sair dessa programação, porque ainda não experimentaram a necessária revolução da mente. Essas pessoas levam muito a sério as instituições sociais e regras. A sociedade está cheia de jogos programados para manter as mentes das pessoas ocupadas para que não se revoltem. Esses jogos causam, muitas vezes, fixações doentias em protocolos peculiares, estruturas de poder, tabus e dominação, todas as formas sutis de escravidão humana. Essa forma distinta de loucura não é apenas tolerada pelas massas, mas também é alimentada. Os que estão programados acreditam tão rigorosamente em regras, que estão dispostos a destruir quem as viole. “Os Que Vêem o Caminho” são aqueles que os desafiam. Uma vez que a mente dos “Que Vêem o Caminho”  é livre para rejeitar as programações sociais, eles vêem imediatamente as instituições como aquilo que são: jogos imaginários. “Os Que Vêem o Caminho” confortam os perturbados e perturbam os confortáveis. Ajudar àqueles que estão perdidos nesses jogos e se recusar a ajudar a si próprios é a vocação de muitos “Que Vêem o Caminho”.


Uma vez que “Os Que Vêem o Caminho” são os que mantém contato com a fonte original da realidade, são capazes de perturbar as convenções sociais e até mesmo os governos para realinhar a Humanidade com o caminho. “Os Que Vêem o Caminho” são uma linhagem antiga, uma espécie de sacerdócio, portadores da chama, “operários  do conhecimento”. Deve sempre existir “Os Que Vêem o Caminho” para reformar as engrenagens vertiginosas e psicóticas da sociedade, rodas gigantes de hamsters irracionais obscurecendo o céu azul puro, mantendo a Humanidade algemada numa cela escura. Então “Os Que Vêem o Caminho” são chamados para lançar luz sobre a loucura da sociedade , para continuar a ressuscitar o transcendente e atemporal Espírito da Verdade. “Os Que Vêem o Caminho” revelam esta verdade divina, por se dedicarem ao nascimento de qualquer ato criativo ou perturbador, expressos através da arte ou filosofia, inovações que abalam a indústria, revoluções por democracia, golpes que derrubam a hipocrisia, movimentos de solidariedade, mudanças que deixam legado, rebeliões contra a política, tecnologia inspirada pelo espírito, momentos de clareza, coisas que desafiam as barbaridades, rios de sinceridade, grandes impulsos de caridade. Nós somos TODOS o mesmo, você sabe, porque somos todos afetados pelo Caminho.  Nós somos TODOS o mesmo, você sabe,porque somos atraídos para a chama; Esta é a sua chamada, você “Que vê o Caminho”. Você encontrou a sua tribo. 


Bem vindo à Casa..."