(O Jardim, centro, Bosch)
Disseram-me que agora o celular é o indicativo de status de uma pessoa, e eu fiquei “bege”...
Eu sei que já falei em outras ocasiões sobre o “ter” e o “ser”, mas devo adicionar que admiro aqueles que fazem o sentido de suas vidas simplesmente “ter”.
Não há nada de errado com isto. É uma opção, uma escolha.
O problema é que esta escolha nem sempre é consciente em um mundo regido pelo marketing opressivo e por uma sociedade absurdamente “rasa” ao nosso redor. Esta falta de profundidade encontra sua compensação nos símbolos externos de valor pessoal: o carro mais caro, a marca da roupa, o celular mais avançado...
Não é ruim ter. A massa à sua volta lhe dá atenção, observando-lhe atentamente os gestos e tentando captar o segredo do seu sucesso – aliás, basta observar como se vendem livros que dão dicas de sucesso - e isto acaba criando algo que se esconde sob o rótulo mais absurdo que já ouvi: “inveja sadia”.
E há alguma inveja sadia?
Quem quer, faz a meta, busca-a. Só não busca o preguiçoso, não interessa qual é a desculpa – e acredite – são desculpas mesmo, pois quem faz nosso destino somos nós mesmos.
Mas enfim, ‘ter’ e ‘ser’ não são condições excludentes, e um pouco de conforto não faz mal a ninguém a menos que você seja louco por sofrimento. Contudo, nem tanto ao mar, nem tanto a terra.
O que custa buscar bens que durem? A tecnologia que menos polui o ambiente e sai de cena quando não há mais chance de upgrade?
E carros? Tem mesmo que ser aquele caríssimo super-bebedor?
Com tanta tecnologia verde, podemos perguntar a razão pela qual os grupos poderosos ainda insistem em sabotar a produção de veículos menos poluentes, mas a explicação está no consumidor, porque é a demanda do mercado que dita as regras, sempre!
Mas o que dizer quando o carro é sinal de status ao invés de um veículo que te leve de A para B sem ser trocado a cada 100.000 km?
E moda então? Virou uma reciclagem de mesmices desconfortáveis que só ficam bem nas moçoilas bulímicas recém saídas da adolescência.
Mas saio do meu escopo assim.
O que quero falar é do ambiente das áreas urbanas, que está cada vez mais propício às doenças emocionais. Sem o parâmetro da natureza, nua e crua, a sociedade humana vive uma virtualidade perigosa, que cria símbolos para expressar sua essência.
“Você é o que você faz”, “você é o que você veste”, “você é o que você blá-blá-blá”, diz o marketing pernicioso. E você não é nada disso, ou pelo menos, só isso.
Este massacre contínuo à “Essência”, o Self, acaba gerando esta necessidade dos símbolos, e invariavelmente nos pegamos gastando todo o tempo de nossas vidas dando valor a coisas que na realidade, não definem quem somos e nem explicam o sentido da vida. Mas o comercial da previdência privada diz que quando chegar ‘aquela’ hora você vai estar amparado: vai ter dinheiro para comprar os seus muitos remédios que na verdade não precisaria se você não estivesse tão viciado em stress que nem o sentisse mais.
A verdade é que passamos tempo demais sob as rédeas do relógio, do patrão, da sociedade, do governo, ou do que todos os acima mencionados dizem que devemos perder tempo que ficamos sem tempo para simplesmente contemplar nossa vida.
A essência humana está muito além, ela chega através da Mente Divina e irradia à manifestação física. Pura e perfeita, sem erros nem falhas. O mundo é exatamente como deveria ser, mas será mesmo que temos que criar um inferno aqui embaixo? Quem tem medo do inferno pós-vida se temos as grandes cidades para lidar?
Vá lá, deixe de ser tonto e faça melhores escolhas, com o que você compra, com o que você faz, com o que você pensa e a maneira que gasta o seu tempo. De vez em quando contemple a maravilha da Criação, e deixe sua mente vagar nas razões de sua própria existência...
E depois me responda se o comercial de celular, que diz o que você tem que ser, está mesmo certo.
Do blog do maridão.
Se quiserem conhecer mais do trabalho dele, clique em "Oasis" no canto esquerdo do meu blog, ou AQUI:
Tem muita coisa em inglês, mas alguns ensaios que andei traduzindo podem ser encontradas no TAG "textos em português".
Mas vamos ao ensaio: O odu Ifá Ìkáwónrín diz: Ìká ènìyàn kìí wòn ohun tire kí ó tóó seé
Isto foi traduzido por Karenga da seguinte forma:
“O malvado não mede sua conduta antes de agir”
Agora, a idéia de maldade deve ser discutida. Neste contexto, maldade é uma referência direta à palavra iorubana Ìká. Bem, o dicionário a traduz como maldade e crueldade, e na teologia de Ifá, compreendemos Ìká como o princípio de controle, desde que se relaciona a Obaluwaye. Mais adiante, a palavra ìkálára simplesmente significa ‘emoções’, mas emoções desequilibradas. É a irrupção dentro de você para que você controle seu ambiente em conformidade com o que lhe dá prazer. É interessante ver que o odu Ìká meji é um odu que manifesta Obaluwaye, o espírito das doenças infecciosas que rege as horas mais quentes do dia. Se Obaluwaye está for a de controle, o resultado é cólera, malaria, catapora e mortes por febres altas em todos os lugares, graças à falta de controle ou contenção do centro emocional de seu poder. Então, a maldade a qual Ìká se refere, é a maldade que se ergue de emoções descontroladas que dão foco somente às gratificações imediatas do indivíduo propriamente.
Vejo isto o tempo todo, Ìká em ação no mundo, esta falta de controle e consideração em todos os lugares, que dá forma às ações das pessoas, tornando a vida dos outros mais complicada. Isto tudo pode ser orientado puramente pelas metas egoístas, tais como parar o carro no meio da rua para conversar com alguém, ou furar uma fila. Isto pode ser relacionado à falta de controle de seus filhos, que fazem com que o ambiente seja desprazeiroso aos outros, como pode ser simplesmente dar foco e exaltação ao seu próprio prazer de qualquer forma antes dos outros.
A mensagem é simplesmente sobre o controle dos impulsos emocionais imediatos. Mantenhamos em mente que se sua vida fica melhor, minha vida fica melhor. Ao fazer a vida dos outros mais fácil, fazemos nossa própria vida mais fácil, e através deste tipo de consideração refletimos Ìká em ire e isto nos trará boa fortuna, desde que entramos em um círculo positivo de ajuda e atenção mútua.
Ìká é também um odu que na diáspora denota bruxedos e maldições, mas poucos parecem levar em conta que fofocas, mentiras, falta de consideração e malícia geral são a essência do bruxedo, e em última instância irá nublar as percepções de seu verdadeiro Self – no final das contas, você perderá a apreciação por si próprio e agir de formas desconsideradas e rudes, sem perceber que é seu próprio ódio que te move. Você SE transforma em uma vibrante maldição ambulante sobre qualquer pessoa que você encontra. Isto soa alarmante, e é – mas a solução é muito simples: tenha consideração e perceba que ao ajudar os outros, você está ajudando a si mesmo. Ao fazer isto, um retorno a Ile Ifé, ‘a cidade do Amor’ está aberta pela espada de Ogun …
Porque é mais fácil falar em termos dualistas para compreender a Unidade, minha heresia Bruxa... – Seja feita a Minha Vontade.
Do disparo Celestial que gerou sombra a se opor à Luz, que apontou as rachaduras da Criação como aponta as rachaduras na estrutura do Eu-Mundo, o Acusador de Nós Mesmos, Mestre que atrai fortuna e infortúnio – Seja feita a Nossa Vontade.
Nós, que somos Centelha Divina do Criador – Seja feita a Nossa Vontade.
Justamente, é através da dor do parto que nascemos, é através da dor no último suspiro que morremos. Não há crescimento sem se passar pela ordália da dor. Seja feita a Nossa Vontade.
Gritemos ao mundo para que ele pare, e ele não vai parar, ele vai seguir seu curso, e doerá o quanto tiver que doer. Seja Feita a Nossa Vontade.
No final das contas, não reparamos as rachaduras de nossas próprias estruturas perdendo tempo reparando as dos outros. Há aquele que sempre se lembra. Dentro de mim, dentro de nós.
Deus e o Diabo moram dentro e fora de cada um: luz e sombra em perfeito equilíbrio. Dentro de mim, dentro de nós.
Acredito que o mundo é perfeito exatamente como ele está, sempre atento ao movimento e a Lei Maior – Plano Divino que rege este mundo: que tudo que nasce tem que morrer. Dentro de mim, dentro de nós.
Somente lá, naquele momento final, que podemos parar de procurar consertar nossas próprias estruturas para suportar nosso peso. Seja feita a Vossa Vontade.
Por que foi a Queda de Adão e Eva que nos colocou nesta jornada que começou na noite grávida e estrelada do Universo Acima, cruzou eóns de ancestrais para que Eu-Mundo finalmente existisse, vivesse a dor e compreendesse que Assim na Terra Como no Céu. Seja feita a Vossa Vontade.
O Paraíso, o Lar-Templo do Amor na Morte é aquele que você faz e carrega em Vida. Sê em paz contigo e com o Universo Abaixo que te rodeia – eu ouvi na Sarça Ardente, cuja Voz de Fogo, Ehyeh-Asher-Ehyeh, caminha pelos Mundos em passos quânticos. Vivo ou morto, não importará... Você pôde conhecer Céu enquanto ouve o pulsar de seu coração. Seja feita a Vossa Vontade.
Hoje pedi por conselho à Ifá, para uma nova amiga que o Universo me trouxe. Ganhei duas perspectivas no mesmo Odu e lembrei de outro amigo que talvez possa se beneficiar disso, parando de se preocupar com o que os outros falam ou possam vir a falar. Posto aqui estas duas perspectivas:
Se tivermos dinheiro e não temos caráter,
O dinheiro pertence à outra pessoa.
Caráter, Iwa, é o que procuramos, caráter.
Se tivermos filhos e não temos caráter,
Os filhos pertencem à outra pessoa.
Caráter, Iwa, é o que procuramos, caráter.
Se tivermos uma casa e não temos caráter,
A casa pertence à outra pessoa.
Caráter, Iwa, é o que procuramos, caráter.
Se tivermos roupas e não temos caráter,
As roupas pertencem à outra pessoa.
Caráter, Iwa, é o que procuramos, caráter.
Todas as coisas boas que temos, se não temos caráter,
Estas coisas boas pertencem à outra pessoa.
E assim, é caráter, Iwa, que procuramos. Caráter.
Neste Odu encontramos o ponto central da sabedoria de Ifá: Iwa, caráter, a fonte de todo o poder de transformar a realidade. É clara a exposição no verso. Na falta de caráter, nada do que temos é realmente nosso, e enquanto nos mantemos calmos e íntegros, o mundo é nosso. Nada e nem ninguém pode retirar o que nos pertence se temos bom caráter, nem mesmo aqueles que lançam olhos invejosos, ou aqueles que contaminam suas línguas com o veneno da feia mentira.
Segue ainda outro verso:
Calúnia secreta,
Ridículo disfarçado.
Não há alguém que vire as costas
Que não se torne sujeito à calúnia.
Este foi o ensinamento para Orunmila,
Quando as pessoas lançavam calúnias sobre ele.
Ele foi aconselhado a fazer sacrifício.
Ele ouviu e fez o sacrifício.
Ele disse: agora, vocês podem continuar suas calúnias,
Mas o ridículo não pode remover a doçura do mel.
É exatamente quando vocês lançam a calúnia sobre mim,
Que eu me torno extremamente rico,
Que eu construo casas sobre casas,
Que eu trago à vida uma abundância de filhos,
E que me torno dono de todas as coisas boas.
Então, continuem suas calúnias,
Pois o ridículo não faz com que o mel deixe de ser doce.
Neste verso, Ifá pede a Orunmilá para que ele sacrifique. Isto significa honrar as manifestações de Olodumare, o Criador. Orunmilá permanece ereto, firme em suas convicções, e assim livre tentação da fogueira de vaidades que muito frequentemente nos levam à perda do nosso equilíbrio, e consequentemente, à cegueira que nos impossibilita de enxergar as bênçãos e oportunidades que o universo traz tão abundantemente.
O mel jamais deixará de ser doce. Temos que nos ater aos fatos e não criar monstros imaginários. Sem nenhuma falha de lógica, sempre somos idiotas aos olhos de alguém. O importante é sabermos quem somos e deixar de lado aqueles que insistem em pintar nossa imagem como diabo. Certa vez a Madre Tereza disse: “Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las” – e veja bem, nem mesmo ela escapou das críticas de alguns...
(um cantinho aqui de casa)
Ano Novo - aquela meia noite de resoluções e desejos para o próximo ano, sempre regada de excessos e alguma superstição.
Há quem não acredite no velho folclore: saltar ondinhas, comer romãs e guardar as sementes, fazer uma fogueira para queimarmos pedidos...
Eu respeito. Também pensava que estas coisas eram somente crendices muito bestas, até conseguir meu primeiro pedido: ganhar asas! Lógico que não literalmente, mas explico isto melhor nas próximas linhas.
Quem me conhece, sabe bem que sou um paradoxo neste sentido – como pode uma bruxa ser tão cética com tanta coisa?
Mas sou. Adoro estudar e odeio gastar ‘vela boa com santo ruim’, como dizia meu falecido pai. Preciso saber o ‘por quê’ de tudo, preciso conhecer a ‘tecnologia’ da coisa, e a coisa precisa me vencer emocionalmente e intelectualmente. Ah... começando pelas próprias velas. Quem me disser que isto é coisa de magia das antigas está mentindo. Primeiro porque não há explicação prática, pois as velas foram inventadas nem tão antigamente assim em comparação a idade da magia, e certamente os muitos grandes magos da humanidade usavam fogueiras, tochas e até lamparinas de azeite antes da vela. Cor então, nem se fala. Há uma crença besta de que se você não tiver vela de ‘tal cor’ você não pode realizar sua magia, ou que acender vela preta dentro de casa dá um azar danado porque chama espírito ‘maligno’. Oras, me poupem! “Magia de Velas”, oh my...
Se você não tem vela em casa, sem crise: você tem a sua lâmpada e não terá que realizar sua operação no escuro como nossos ancestrais. Sua magia funcionará igualzinho. Se você precisa da vela para ela funcione, pense de novo. Seu poder deve residir dentro de você e não fora, e a vela é somente um pobre instrumento de foco, de intenção.
Para chamar espíritos ‘malignos’ (embora não acredite na classificação, posso concordar com a intenção), você não precisa de vela: basta continuar fazendo tudo de errado com sua vida que eles logo vêm dando tapas nas orelhas! A vela não vai fazer a menor diferença, a menos que o dito cujo resolva apagá-la e usá-la como supositório... o que pode até ajudar se seu problema é nunca tentar antes de rejeitar.
Mas vamos lá, saí do assunto.
Ergui certa meia noite de ano novo, um brinde à natureza. Estava em frente a uma mata exuberante em Atibaia, e mesmo cercada de outros hóspedes na pousada em que estava, eu estava sozinha naquela noite. O filho e o sobrinho brincavam pela pousada ecológica e não estavam nem aí com a hora. Então ergui a taça, caminhei até a borda da mata, e suspirei: “Que linda... como gostaria de morar em um lugar destes cercada de uma mata, esta natureza tão maravilhosa e exuberante!”
Seis meses se passaram e o diretor da companhia em que eu trabalhava na época se fartou da loucura do trânsito de Sampa (concordo, isto é uma fábrica de loucos!), reparou que os clientes da empresa estavam todos situados perto de rodovias em cidades menores e decidiu que iria mudar a empresa para... colocando o dedinho no mapa... Atibaia! Tive que acreditar que era destino, pois nunca havia sido assaltada em minha cidade natal e naquele ano foram três vezes e na última o idiota apontou a arma para a cabeça do meu filho.
Mais outros seis meses se seguiram e eu passei aquele novo “ano novo” em Atibaia, novamente, só que desta vez, agradecendo o desejo concretizado da varanda de minha própria casa – pelo sim ou pelo não...não custava agradecer e pedir um pouquinho mais...
Novamente sozinha, ou melhor, sempre mal acompanhada pela procissão de homens confusos que passaram pela minha vida, foi naquele período que percebi que deveria bastar-me, e então pedi para que ficasse bem comigo mesma, e se não fosse isto acho que jamais teria atraído para minha vida não ‘um cara’, mas ‘o cara’. Se minha cara metade não havia aparecido em Sampa, com suas inúmeras possibilidades, eu havia reduzido isto a quase nada ao mudar-me para uma cidade de pouco mais de 150.000 habitantes (naquela época). Trinta e três anos de idade, um filho de seis e entupida de dívidas da mudança – pergunte a qualquer mulher desta idade se é fácil! Mas aquele Reveillon foi o último que passei sozinha, pois outros – pasmem – seis meses, me mostraram que pedido de Ano Novo funciona sim, muito bem, e obrigada, por sete anos agora, os mais felizes sete anos de minha vida.
Mas bastaram dois anos em Atibaia para que eu finalmente pudesse morar ainda mais embrenhada na natureza. Hoje ela mora comigo, dentro e em volta de casa, e virou ninho para outros que vêm buscar o crescimento para suas asas também.
Então acredite. Você pode ser livre, você pode alcançar a tudo, basta pedir ao Universo e em especial à natureza que te rodeia. Se você mora na cidade, procure um parque e encontre uma árvore bonita e frondosa. Esteja certo que ali mora aquele ser que vai te ouvir com um simples pacto de respeito, e, por favor, cumpra sua promessa porque o ‘povo da floresta’ desconhece esta coisa de segunda chance. Este pode ser seu primeiro passo rumo à consciência ecológica, no mínimo.
Ano Novo serve para isto sim, mas em especial para que possamos nos abrir para o novo e desconhecido reino das possibilidades, de peito aberto para as mudanças, com aquela ‘atitude de interesse’ frente aos obstáculos que sempre se revelam como grandes bênçãos na vida, mesmo que na hora estejamos ainda muitos cegos às suas possibilidades.
Ano Novo serve para isto sim, mas em especial para que possamos nos abrir para o novo e desconhecido reino das possibilidades, de peito aberto para as mudanças, com aquela ‘atitude de interesse’ frente aos obstáculos que sempre se revelam como grandes bênçãos na vida, mesmo que na hora estejamos ainda muitos cegos às suas possibilidades.
Feliz Ano Novo!
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